#26 Motivação – Parte 2

#26 Motivação – Parte 2

Hoje continuaremos falando sobre motivação, e mais especificamente a Teoria da Autodeterminação, conceito criado por Edward Deci e Richard Ryan, dois dos mais importantes pesquisadores sobre motivação de todos tempos.

Segundo esses dois cientistas, autodeterminação é o ato de escolher e decidir por si mesmo, e de iniciar ações por vontade própria. Conforme já abordamos no post anterior, a teoria não desconsidera a tradição behaviorista que dominou a pesquisa sobre motivação por décadas, isto é, a ideia de que o ser humano se motiva apenas por respostas a estímulos: prêmio ou punição. Mais do que isso, a autodeterminação considera que possuímos também demandas internas poderosas, que não dependem de outros estímulos. Sabe aquelas coisas que você faz simplesmente porque ama, independentemente de qualquer retorno que tenha com isso? Pois bem, é disso que se trata.

Esse tipo de motivação espontânea é chamado de MOTIVAÇÃO INTRÍNSECA. Segundo Ryan e Deci, há 3 diferentes naturezas de atividades que geram esse impulso. A primeira trata das atividades INTERESSANTES, ou seja, você faz de livre vontade aquilo que te desperta interesse e paixão. A segunda diz respeito às atividades DESAFIADORAS, isto é, aquilo que vai te desenvolver e desafiar para que possa utilizar todo o seu talento. A terceira natureza é a das atividades PRAZEIROSAS, aquelas que você faz simplesmente porque são agradáveis.

A melhor parte dessa descoberta é que temos um apontamento claro sobre os tipos de resoluções que, se assumidas, nos manterão sempre motivados e satisfeitos. Basta que sejam interessantes, desafiadoras ou prazeirosas para você. Ou os três ao mesmo tempo!

Para que você não dependa apenas de bônus ou ônus para ter boas razões de agir, e garantir um ano mais engajado com o que importa mais, não deixe de assumir em 2017 metas intrinsicamente motivadas. Topa? Então pegue papel e caneta que as perguntas abaixo te ajudarão nessa reflexão.

1) QUAIS AS PRINCIPAIS MUDANÇAS QUE VOCÊ DEVERÁ IMPLEMENTAR PARA QUE A SUA VIDA EM 2017 SEJA MAIS CONGRUENTE COM O QUE REALMENTE DESEJA PARA SI? QUAIS TAREFAS DEVERÁ SE EMPENHAR E QUAIS HÁBITOS TERÁ DE MODIFICAR? O QUE JÁ PODE SER IMPLEMENTADO E O QUE DEVERÁ SER TRABALHADO AO LONGO DO TEMPO? QUANTO TEMPO? SEJA ESPECÍFICO.

2) TORNE-AS INTERESSANTES
(Quais aspectos dessas mudanças parecem interessantes para você? O que está de acordo com seus gostos e habilidades? Elabore uma estratégia para potencializar os interesses que essas atividades te despertam.)

3) TORNE-AS DESAFIADORAS
(O que realmente te desafia nessas tarefas? Qual a importância de superar esses desafios? Que ganhos te trarão essa superação? De que forma pode utilizar os seus talentos para superar esses desafios? Como pode se desenvolver cumprindo essas metas? Elabore uma estratégia para isso.)

4) TORNE-AS PRAZEROSAS
(Quais são os aspectos mais chatos ou desagradáveis das tarefas levantadas? Como você pode transformar em algo mais prazeroso e divertido? Faça um brainstorming de possibilidades e elabore uma estratégia para isso.)

Parabéns por nos acompanhar até aqui! Em nosso próximo post continuaremos falando sobre o que nos motiva, mas desta vez extrinsecamente. Em outras palavras, como nos estimular com aquelas atividades que temos de fazer, mas que não nos trazem satisfação? Interessado? Então acompanhe nosso post de amanhã, e não deixe de comentar aqui o que achou dessa estratégia 🙂

#25 Gerando Motivação

#25 Gerando Motivação

Não importa o quão bem planejado você esteja para suas resoluções de 2017. Se não houver a motivação necessária para colocar em prática tudo o que se propôs, simplesmente não acontecerá. Você se sente verdadeiramente motivado para realizar tudo o que gostaria no novo ano?

O que fazer para manter a motivação sempre em alta, mesmo quando nos defrontamos com situações desanimadoras? São perguntas fundamentais para quem planeja suas metas, não acha?

A palavra motivação vem do latim “moveres”, e significa mover. Basicamente ela designa o impulso interno que move à ação. A ciência tem se debruçado sobre esse tema há aproximadamente um século e meio, buscando princípios que nos ajudem a compreender por que escolhemos, iniciamos e mantemos determinadas ações em certas situações. Sigmund Freud, por exemplo, tratava da motivação em termos de instintos. Já B. F. Skinner, grande expoente do behaviorismo, abordava a motivação em termos de respostas a estímulos. Em outras palavras, segundo essa tese, o ser humano funciona apenas por prazer ou sofrimento, prêmio ou castigo.

Desde a década de 1950 os behavioristas praticamente dominaram as pesquisas sobre a motivação, e não por acaso seus princípios orientam os sistemas motivacionais em empresas, escolas e até mesmo nos núcleos familiares. Por exemplo, ao premiar um filho por ter tirado boas notas ou cortado sua mesada caso não ele tenha obtido os resultados esperados na escola, estamos agindo segundo princípios behavioristas.

Basicamente as ideias de Skinner são um contraponto à noção clássica dada na antiguidade por Aristóteles, de que o ser humano tem uma tendência ativa para perseguir o crescimento psicológico e é direcionado para a organização e a integração. Segundo o filósofo, o homem possui três necessidades natas: buscar desafios, descobrir novas perspectivas e transformar práticas culturais.

Os estudos mais modernos sobre motivação buscam unir esses dois pensamentos aparentemente contraditórios. Ou seja, por um lado temos a ideia behaviorista de que somos movidos por prêmios e castigos, e por outro a concepção de que também somos levados por necessidades internas, paixões e um desejo de autodesenvolvimento, conforme a filosofia aristotélica. Hoje em dia, chamamos o primeiro caso de MOTIVAÇÃO EXTRÍNSECA, e o segundo de MOTIVAÇÃO INTRÍNSECA.

Os proponentes dessa junção foram Edward Deci, da Universidade de Rochester, e Richard Ryan, da Universidade Católica Australiana. Ambos são autores da Teoria da Autodeterminação. Segundo os dois cientistas, autodeterminação é o ato de escolher e decidir por si mesmo, e de iniciar ações por vontade própria, isto é, a motivação consciente que leva a uma ação, não apenas por punição ou recompensa, mas por amor ou entendimento de que se trata de algo bom ou importante.

Deci e Ryan indicaram alguns passos para trabalhar com a sua motivação. Que tal considerá-los agora para desenvolver uma maior autodeterminação direcionada às metas para 2017? Então pegue papel e caneta para refletir e planejar, não apenas seus objetivos para o ano, mas também como se manterá motivado em seu decorrer.

LISTE SUAS PRINCIPAIS METAS PARA 2017. RESPONDA ÀS PERGUNTAS ABAIXO CONSIDERANDO CADA OBJETIVO INDIVIDUALMENTE:

1) AVALIE O SEU NÍVEL DE MOTIVAÇÃO. DE 0 A 100%, O QUANTO VOCÊ SE SENTE MOTIVADO PARA COMEÇAR E SE MANTER NESSA META?

2) ELEVE A CONSCIÊNCIA. VOCÊ REALMENTE QUER TRABALHAR ISSO? ESTÁ DISPOSTO A FAZER O QUE FOR NECESSÁRIO PARA ELEVAR SUA MOTIVAÇÃO A 100%? CASO A RESPOSTA SEJA NÃO, CONSIDERE PRIORIZAR OUTROS OBJETIVOS EM 2017.

3) AJUSTE DE MOTIVAÇÃO. FAÇA UMA LISTA DE ESTRATÉGIAS POSSÍVEIS PARA TORNAR ESSE OBJETIVO MAIS PRAZEROSO, INTERESSANTE E DESAFIADOR. VOCÊ NÃO DEVERÁ FAZÊ-LAS NESSE MOMENTO, MAS LEVANTAR POSSIBILIDADES. QUANTO MAIS IDEIAS, MELHOR.

4) PROMOVA A MUDANÇA. ESCOLHA, ENTRE AS ESTRATÉGIAS LEVANTADAS ACIMA, AQUELA QUE FUNCIONARÁ MELHOR PARA VOCÊ. ELABORE UM PLANO DE AÇÃO PARA COLOCÁ-LÁ EM PRÁTICA EM 2017, E SE COMPROMETA!

 

Este assunto é tão importante e rico que há muito ainda a explorar sobre ele. Ryan e Deci descobriram, por exemplo, que podemos ter um controle muito maior de nossa autodeterminação quando conhecemos o que caracteriza a motivação intrínseca, bem como os tipos de motivação extrínseca. Assim conseguimos determinar com assertividade a melhor forma de promover mudanças motivacionais quando pretendemos realizar algo importante. Interessado no assunto? Então não perca nosso post de amanhã!

#24 Resoluções por área

#24 Resoluções por área

A tradição das resoluções de ano novo já existe há mais de 4.000 anos. Os babilônios já faziam promessas e oferendas aos seus deuses no início do ano, esperando serem agraciados em seus pedidos no novo ciclo. Durante o Império Romano, o primeiro mês do ano foi nomeado em homenagem a Janus, um deus de dois rostos que, no dia 31 de dezembro olhava ao mesmo tempo para trás no ano velho e para a frente no ano novo. Os romanos acreditavam que Janus os perdoaria pelos erros cometidos no ano passado, e que poderiam fazer promessas a ele para serem realizadas no ano que se iniciava. De certa forma, mantemos esse hábito até os dias atuais.

Hoje em dia essa tradição ocorre geralmente a partir das famosas listas de resoluções. Escrever objetivos é um bom começo para materializar os desejos, mas para ampliar as chances de sucesso é importante que as promessas sejam específicas, como vimos no dia 5 de nossa série, mas também bem equilibradas entre todas as áreas da vida. Lembre-se que somos seres multidimensionais, ou seja, compostos por diferentes dimensões ou áreas que nos caracterizam. Uma vida bem vivida e feliz é aquela que consegue alcançar um equilíbrio entre suas diferentes áreas.

É o que diz o Dr. Michael B. Frisch, autoridade internacional em psicologia positiva, bem estar e qualidade de vida. Sua tese gira em torno daquilo que ele chama “presunção aditiva”, isto é, o princípio de que a satisfação do indivíduo com a vida em geral consiste na soma da satisfação que ele experimenta em diferentes áreas. Em outras palavras, não adianta ter metas claras para ser bem sucedido na área do trabalho e nada fazer para melhorar a qualidade na vida na área familiar. Ou então ser bem sucedido em seus objetivos financeiros e abrir mão do sucesso na dimensão da espiritualidade.

Enfim, você só poderá considerar seu ano bem sucedido se tiver conseguido alcançar um equilíbrio entre as diferentes dimensões que compõem a sua vida. É importante que tenha isso mente ao conceber suas metas para 2017! Para auxiliá-lo, elaboramos uma ferramenta de coaching que o ajudará a definir metas para o ano novo a partir de diferentes áreas de responsabilidade. Topa o desafio? Então pegue papel e caneta e responda às perguntas abaixo.

PENSANDO EM SUA VIDA, CONSIDERE AS SEGUINTES ÁREAS DE RESPONSABILIDADE:

  • SAÚDE E DISPOSIÇÃO
  • DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL
  • EQUILÍBRIO EMOCIONAL
  • REALIZAÇÃO E PROPÓSITO
  • RECURSOS FINANCEIROS
  • CONTRIBUIÇÃO SOCIAL
  • FAMÍLIA / VIDA SOCIAL
  • RELACIONAMENTO AMOROSO
  • CRIATIVIDADE, HOBBIES E DIVERSÃO
  • PLENITUDE E FELICIDADE
  • ESPIRITUALIDADE

 

PARA CADA UMA DELAS RESPONDA ÀS SEGUINTES PERGUNTAS:

1) DE 0 A 100%, QUANTO VOCÊ SE SENTE SATISFEITO COM ESSA ÁREA EM SUA VIDA HOJE?

2) POR QUE É IMPORTANTE ALCANÇAR 100% DE SATISFAÇÃO NESSA ÁREA? COMO SE SENTIRÁ, O QUE MELHORARÁ E O QUE PODERÁ ALCANÇAR QUANDO ESTIVER PLENAMENTE SATISFEITO NESSA DIMENSÃO DE SUA VIDA?

3) QUE AÇÕES OU PROJETOS QUE, SE COLOCADOS EM PRÁTICA EM 2017, FARÃO COM QUE VOCÊ SE APROXIME DE 100% DE SATISFAÇÃO NESSA ÁREA?

4) QUANDO EXATAMENTE VOCÊ PRETENDE COLOCAR ISSO EM PRÁTICA? SEJA ESPECÍFICO.

5) QUAL É O PRÓXIMO PASSO A SER DADO? ESTÁ COMPROMETIDO?

 

O que achou da estratégia de hoje? Compartilhe com a gente aqui nos comentários, envie para os seus amigos que podem fazer ótimo uso desse conteúdo, e vamos com tudo em 2017!!!

 

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#23 Esperança em alcançar suas metas

Você tem esperança de alcançar suas metas para 2017? Qual a importância dessa palavra em seu planejamento de resoluções para o ano novo? O educador Paulo Freire disse certa vez: “É preciso ter esperança. Mas tem de ser esperança do verbo esperançar”. Isso significa que quem afirma esperar que algo aconteça, mude ou melhore, está na verdade conjugando o verbo “esperar”.

O verbo “esperançar”, ao contrário, envolve ações concretas na busca daquilo que se deseja, mas também não desistir, enfrentar o medo, assumir riscos, acreditar no próprio potencial. A estratégia de hoje em nosso desafio dos 30 dias abordará esse tema, que é muito mais importante do que se pensa: a esperança!

Esperança não é um sentimento inútil ou algo que deva ser desconsiderado no planejamento de seus objetivos para 2017. Muito pelo contrário! O tema é sério, e por isso muitos estudos têm sido feitos, sobretudo na última década, mostrando o efeito positivo da esperança na capacidade das pessoas para lidar com problemas, mudanças ou stress.

A mais moderna tese sobre esse assunto foi apresentada a partir de 1991 por Charles Richard Snyder, da Universidade do Kansas. De acordo com a teoria, a esperança é um processo cognitivo, de natureza motivacional, direcionado para alcançar objetivos.

Esse processo reflete a nossa percepção quanto à capacidade de definir metas relevantes e desafiadoras, encontrar caminhos para alcançar objetivos e ter senso de iniciativa para perseguir o que se deseja. Os estudos indicam ainda que pensamento esperançoso está associado à percepção de controle, autoestima, amor-próprio, otimismo, competência social, criatividade elevada, maior capacidade de resolução de problemas, reconhecimento de um sentido para a vida, bem como ao aumento das chances de atingir metas programadas.

As investigações sobre o tema também apontam ganhos importantes no campo da saúde, como menor propensão ao desenvolvimento de doenças, redução de ansiedade e melhora no estado psicológico diante de situações difíceis.

Nada mal, não? Sendo assim, que tal refletir sobre os seus níveis de esperança em 2017 e relacioná-los às resoluções mais importantes para o ano? Então pegue papel e caneta para responder ao roteiro abaixo, desenvolvido a partir da Teoria da Esperança de Snyder:

1) ESCREVA 3 IDEIAS QUE TRAZEM ESPERANÇA A VOCÊ.

2) ESCREVA 3 AÇÕES POSSÍVEIS PARA AS SUAS 3 IDEIAS DE ESPERANÇA.

3) IDENTIFIQUE COMO ESSAS AÇÕES PODEM AJUDÁ-LO A TRANSFORMAR A ESPERANÇA EM OBJETIVOS ALCANÇÁVEIS

4) ESCREVA A QUAIS CAMINHOS SUAS AÇÕES PODEM LEVAR VOCÊ.

5) ESCREVA 3 ESTRATÉGIAS QUE VOCÊ UTILIZA PARA RESISTIR ÀS PRESSÕES.

6) ESCREVA 3 ATITUDES DE AUTOCONTROLE QUE VOCÊ COSTUMA TOMAR E 3 ATITUDES DE COOPERAÇÃO COM OUTRAS PESSOAS.

7) RELEMBRE UMA SITUAÇÃO EXTREMAMENTE DESAFIADORA NA QUAL SUA ESPERANÇA FOI FATOR DECISIVO PARA QUE VOCÊ PERSISTISSE E VENCESSE. QUAIS FORAM AS FORÇAS OU RECURSOS INTERNOS QUE A ESPERANÇA O AJUDOU A TRAZER À TONA?

8) DESCREVA ALGO QUE VOCÊ SEMPRE QUIS FAZER, MAS ESTÁ PROTELANDO. OU UM ASPECTO DA SUA VIDA QUE VOCÊ PRECISA MELHORAR, MAS ESTÁ NEGLIGENCIANDO. SE VOCÊ FOSSE DESAFIADO AGORA A QUEBRAR A INÉRCIA E DAR UM PRIMEIRO PASSO, QUAL SERIA?

9) PENSE EM ATIVIDADES QUE COSTUMAM FAZER VOCÊ SE DESCONTRAIR E DAR RISADAS, E PROGRAME AO MENOS DUAS PARA ESTA SEMANA. PROCURE FAZER DISSO UM HÁBITO REGULAR. LISTE AS ATIVIDADES QUE VOCÊ FARÁ E QUANDO.

 

Agora é com você! Para transformar 2017 em um ano inesquecível é preciso agir proativamente para fazer a diferença, cuidando de sua esperança, para que se mantenha sempre em alta. Mas lembre-se, esperança conjugada a partir do verbo “esperançar” e não do verbo “esperar”!